São grandes os desafios para os jovens no mercado de trabalho
De acordo com a filósofa, educadora e uma das mentoras do projeto, Vanessa Belém, na era da tecnologia, os jovens oriundos de famílias de baixa renda que estudaram em escola pública têm poucas chances e acabam sendo impelidos à economia informal ou, na pior das hipóteses, à marginalidade. Quando se trata de um trabalho que possibilite ascensão profissional, social e cultural, então suas chances são ínfimas.
É fácil entender por que isto acontece. A taxa de desemprego entre jovens no Brasil é 3,2 vezes superior à registrada entre adultos conforme o relatório "Trabalho Decente e Juventude no Brasil", realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Conselho Nacional de Juventude (Conjuve). Por meio da análise de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2006 e atualizados em 2008, o levantamento constatou que o índice de desemprego entre brasileiros de 15 a 24 anos é de 17,8% em relação aos 22,2 milhões de jovens economicamente ativos, ou seja, ocupados ou que procuram por uma oportunidade profissional.
Os analistas ainda observam que as maiores taxas de desocupação entre jovens estão nas Regiões Sudeste (20,3%), Centro-Oeste (17,7%) e Nordeste (16,7%).
Segundo dados da ONU, em média, os jovens demoram 15 meses para conseguir o primeiro emprego ou uma nova ocupação nas regiões metropolitanas. No total, 66% deles precisam trabalhar para complementar ou mesmo suprir a renda familiar.
O Estado do Ceará revela índices precários, consubstanciados na lata concentração de renda e em seu reduzido Índice de Desenvolvimento Humano, acarretando taxas preocupantes de pobreza e indigência.
Os efeitos desse padrão de vida excludente atingem de modo emblemático a juventude, sobretudo a residente em áreas rurais e periféricas, evidenciando a falta de condições que permitam aos filhos das famílias pobres terem sucesso de ascensão cultural, econômica e social. Com raríssimas exceções, está sendo perpetuado o ciclo de ignorância e pobreza.
Fonte: Revista do Iteva 2010